O empreendedorismo tem vindo a desempenhar um papel de destaque em Portugal nos últimos anos. O proliferar de novos projetos e novas ideias, a criação de incubadoras de startups, o interesse de entidades públicas e investidores privados são indicadores de que o empreendedorismo está na moda.

Mas afinal o que é ser empreendedor? Basta uma boa ideia para tornar um projeto viável? Nem todas as ideias são boas e nem todas as boas ideias são concretizáveis.

O sucesso de uma boa ideia está dependente da sua concretização e o primeiro passo para que isso aconteça começa pela elaboração de um plano de negócios que preveja todos os aspetos referentes à estruturação e defesa da ideia de negócio, nomeadamente:

  1. Sumário executivo
  2. Promotores do projeto
  3. O mercado subjacente – público-alvo
  4. Definição do problema/necessidade
  5. O projeto/produto/ideia
  6. Estratégia comercial
  7. Projeções financeiras
  8. Gestão e controlo do negócio
  9. Investimento necessário

Um plano de negócios não tem de ser complexo nem extenso para que se traduza numa iniciativa de sucesso, basta que consiga ser objetivo e responder a questões práticas para a exequibilidade do projeto. Mas será sempre um requisito caso seja necessário recorrer a investimento. Em projetos que envolvam linhas de produção e dependentes de terceiros, não basta um plano A, é necessário precaver contra imprevistos tanto a nível processual como a nível financeiro.

Outro aspeto critico e fundamental para o sucesso do projeto é a equipa alocada ao mesmo, as suas competências e o nível de compromisso com o mesmo.

O passo seguinte passa pela angariação de financiamento para o projeto. Nas fases mais embrionárias o recurso a amigos e familiares será a solução mais viável para dar os primeiros passos e criar uma proof of concept para seguir para as seguintes fases.

Dependendo do tipo de projeto e do investimento necessário, existem diversas formas de financiar o projeto:

  • Crowdfunding– caracteriza-se pela obtenção de capital através de iniciativas de interesse coletivo e, tipicamente, destina-se a angariar fundos para artistas, pequenos negócios e startups, campanhas políticas, software e causas sociais.
  • Banca– o financiamento tradicional apresenta atualmente algumas dificuldades no caso de startups, implicando sempre a apresentação de garantias. A avaliação do potencial do negócio é feita de acordo com a robustez dos indicadores apresentados.
  • Business Angels– após a fase seed (fase embrionária), os investidores privados podem ser uma ótima opção, não só pelo capital que poderão investir, mas pelo know how e networking que normalmente podem aportar ao projeto.
  • Capitais de risco– este tipo de financiamento entra já numa fase de expansão e pode ter várias rondas. Nesta fase, tipicamente já existe proof of concept e o projeto já foi lançado em algum mercado. Normalmente, as empresas de capital de risco estão ligadas a projetos de cariz mais tecnológico e têm como filosofia “Go big or go home”, o que pode não estar em linha com a estratégia dos business angels e, por esse motivo, entrarem em fases diferentes do projeto. Existe igualmente a ideia de que projetos que conseguiram financiamento de empresas de capital de risco têm maior probabilidade de sucesso, não só pelo escrutínio a que são submetidas na fase de análise do projeto, mas também pelos milestones (objetivos estratégicos) que estão obrigados a cumprir.

Para muitas startups, a angariação de financiamento é fundamental, mas não é o único recurso necessário. O desenvolvimento de uma rede de contactos com potenciais fornecedores, clientes e parceiros é um aspeto importante para que se estabeleça um fluxo de informação e comunicação valiosa junto dos diferentes stakeholders.

Não basta uma boa ideia para se conseguir vender um projeto, a chave do sucesso está na dedicação e trabalho árduo.